A União Europeia iniciará um período de consulta no próximo ano sobre a possibilidade de os gigantes da tecnologia contribuírem para os custos das redes europeias de telecomunicações e internet. Esse período pode durar até seis meses. Seguir-se-á um projeto de lei da Comissão Europeia.
O período de consulta sobre o compartilhamento de custos de rede com gigantes da tecnologia começará no primeiro trimestre do próximo ano, informou o comissário europeu Thierry Breton à agência de notícias Reuters. A consulta sobre a infraestrutura de rede fará parte de uma discussão mais ampla, que incluirá o metaverso. Durante os períodos de consulta, a UE recolhe feedback das partes interessadas, dos Estados-Membros e do público, incluindo sobre a dimensão e as prioridades das propostas legislativas. Este período de consulta de infraestrutura de rede deve durar de cinco a seis meses, disse Breton.
Isso não significa que a lei será aprovada ou que uma proposta se seguirá em breve. Espera-se uma proposta legislativa concreta da Comissão Europeia no decurso de 2023, no mínimo. Essa proposta deve então ser discutida pelo Parlamento Europeu e pelos Estados-Membros antes de ser adotada.
A proposta de fazer com que os gigantes da tecnologia paguem uma 'quota justa' no financiamento da infraestrutura europeia de telecomunicações e internet já existe há algum tempo. Grupos de lobby de empresas de telecomunicações europeias afirmaram no início deste ano que metade de todo o tráfego de internet europeu pode ser atribuído a seis empresas: Google, Facebook, Netflix, Apple, Amazon e Microsoft. Essas empresas afirmam que a proposta ameaça a 'neutralidade da rede', enquanto as organizações de telecomunicações afirmam que os gigantes da tecnologia estão 'pegando carona' em sua infraestrutura, escreve a Reuters.
No início desta semana, eurodeputados "importantes" enviaram uma carta aos comissários europeus Thierry Breton e Margrethe Vestager, escreve a Bloomberg. Nele, nove parlamentares manifestam seu apoio à proposta de que as empresas que mais geram tráfego de rede ajudem a pagar a infraestrutura. Eles afirmam que a lei deve obedecer às regras de neutralidade da rede, que garantem que os provedores de internet não possam dar prioridade ao tráfego de rede para serviços específicos.
