O que acontece com os figurinos quando carnaval acaba?

Acabou o Carnaval. É hora de guardar as fantasias e recolher os confetes e as serpentinas. Mas o que fazer com tudo isso? As escolas de samba de todo Brasil já têm destino certo para todo o material utilizado na confecção das roupas e dos carros, que começam a ser levados para os barracões nesta quarta-feira.

figurinos

O figurinos das escolas de samba, a maior parte é reaproveitada no ano seguinte: dos panos e paetês das alegorias ao figurino dos bonecos. Todos os costeiros — as peças que ficam nos ombros dos componentes — também devem quase tudo é reaproveitável no próximo desfile. O que não serve mais para a escola vai para a reciclagem.

— Só não conseguimos reutilizar os ferros, porque nosso barracão fica próximo ao mar e as peças enferrujam — conta a vice-presidente, Tânia Ramos.

Muita coisa também perde-se no caminho até o Centro e na passagem pela avenida. São plumas molhadas por causa da chuva, papéis rasgados, enfeites quebrados. Outras são abandonadas pelos próprios foliões, que saem da passarela e deixam as fantasias ali mesmo, pelas ruas. É quando entram em cena os dirigentes das escolas, que recolhem tudo o que encontram, e os turistas em busca de lembranças da festa na cidade.

Segundo o diretor de Carnaval da Protegidos da Princesa, José Carriço, cerca de 20% do figurino das cinco agremiações é descartado pelos componentes.

— É uma pena, porque o tecido das fantasias de uma ala inteira de baianas, por exemplo, dá para confeccionar três alas — compara.

Segundo ele, cerca de 30% do material usado pela escola vice-campeã este ano era reciclado. O boneco que representava o soldador do carro da Revolução Industrial foi um sheik em 2009. E, quem sabe, ele esteja na passarela mais uma vez. A escola fará uma reunião na semana que vem para discutir o próximo enredo.

Transformar o que já se tem em algo inédito é quase unanimidade entre as agremiações. Quase. A vencedora do Carnaval 2010, Embaixada Copa Lord, prefere investir em materiais saídos da loja para conquistar os jurados e o público.

Carnaval é época de usar fantasias luxuosas com brilhos, plumas, penas e pedrarias. Para as musas e rainhas, é o momento de brilhar na avenida e de preferência com a fantasia mais bonita da noite. O figurino do grande dia é mantido em segredo a sete chaves e só é revelado na hora de pisar no Sambódromo para os desfiles das escolas de samba de carnaval.

“Não rola briga, mas ciúmes, com certeza”, diz Henrique Luna, 30 anos, figurinista do Espaço Luz, ateliê localizado na Vila Mira, região do Jabaquara, Zona Sul de São Paulo, e responsável pela fantasia de 4 das 10 rainhas do Grupo Especial e de mais 8 musas das escolas.

No ateliê já foram feitas figurinos para Ellen Rocche, Viviane Araújo, Sabrina Sato e Lexa. Dentre as clientes que não fazem fantasia em outro lugar estão as rainhas Aline Oliveira, da Mocidade Alegre e Ana Beatriz Godói, da Rosas de Ouro.

“Eu preciso sonhar com a roupa. Geralmente eu faço um desenho e eles criam em cima e deixam ainda mais bonito. Eu sonho e eles executam lindamente”, diz Ana, que é provavelmente a cliente mais ciumenta do ateliê. “Por mim eles atenderiam só a mim (risos)”.

Uma fantasia custa a partir de R$ 1500 “até o que o sonho pode pagar”, segundo Henrique. A mais cara produzida por eles custou entre R$ 45 e R$ 50 mil. Cravada de cristais Swarovski originais importados da Áustria, a peça foi usada por Quitéria Chagas no ano passado.

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Author: Redação BR Acontece

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