Itapemirim tem 60 dias para escapar da falência, se isso não ocorrer, a justiça vai decretar a falência da Itapemirim.


Ônibus da Itapemirim, em Guarulhos
Ônibus da Itapemirim, em Guarulhos

Falência também será decretada se credores não aceitarem plano. Neste caso, manifestação é em 180 dias. Empresa já foi a maior do País no segmento de transportes rodoviários

ADAMO BAZANI

A 13ª Vara Cível Especializada Empresarial de Vitória, no Espírito Santo, aceitou na última sexta-feira, 18 de março de 2016, o pedido de recuperação judicial da Itapemirim e de outras empresas do grupo e deu 60 dias para que um plano de recuperação fosse apresentado. Se isso não ocorrer, a justiça vai decretar a falência da Itapemirim.

Estão incluídas neste plano de recuperação as seguintes companhias: Viação Itapemirim, Transportadora Itapemirim, ITA – Itapemirim Transportes, Imobiliária Bianca, Cola Comercial e Distribuidora e Flecha Turismo Comércio e Indústria.

No plano de recuperação, a Itapemirim deve apresentar maneiras de como vai quitar os seus débitos de R$ 336 milhões e 490 mil e como proporcionar viabilidade e crescimento das companhias.

Deste total, R$ 42 milhões e 700 mil são referentes a encargos trabalhistas.

Após apresentar o plano dentro de 60 dias, os credores terão 180 dias para se manifestar. Caso não aceitem as propostas, a Itapemirim também pode ter falência decretada por este motivo.

A Itapemirim chegou a operar em 70% do território nacional e nos anos de 1980 produziu os próprios ônibus.

O grupo vem realizando demissões desde 2014, mas as dispensas se intensificaram entre o segundo semestre de 2015 e o início deste ano. Todas as empresas do grupo empregam 1 mil 900 pessoas no país.

De acordo com o sindicato que representa os rodoviários no sul do Espírito Santo, somente no estado, a Itapemirim demitiu desde o último dia 18 de fevereiro 150 trabalhadores.

A Itapemirim afirma que o processo de recuperação judicial é para evitar a falência e pede um voto de confiança aos funcionários, mas diz que a situação só será resolvida em médio prazo.

A empresa alega que é vítima da crise econômica que aumentou os custos de operação e diminuiu o lucro e a demanda das linhas.

No entanto, fontes do setor afirmam que a empresa tem sido também vítima de erros administrativos e desacordos entre integrantes da família Cola.

Um destes desentendimentos é entre Camilo Cola, e a filha, Ana Maria Cola, sobre o inventário do patriarca. A disputa está na justiça.

Pessoas ligadas ao quadro de funcionários da companhia ainda alegam que a transferência de ônibus e linhas para outra empresa, a Kaissara, teria sido uma manobra para diminuir o impacto da crise pela qual passa o grupo da Itapemirim.

No dia 4 de junho de 2015, a Itapemirim vendeu 68 linhas interestaduais para a Viação Kaissara entre as quais, trajetos de grande demanda, como São Paulo / Rio de Janeiro, São Paulo / Rio de Janeiro (via ABC Paulista), São Paulo / Curitiba, Rio de Janeiro / Curitiba, Salvador/ Rio de Janeiro, Brasília / Belo Horizonte, Rio de Janeiro / Curitiba.

Em torno de 40% da frota que era operada pela Itapemirim foram assumidos pela Kaissara.

Com a transferência, a Itapemirim manteve 50 itinerários, o que corresponde a 40% de sua atuação anterior.

Kaissara e Itapemirim ainda ocupam as mesmas estruturas, o que leva até mesmo funcionários afirmarem que ainda se trata de um mesmo grupo empresarial. A afirmação, entretanto, é negada por um dos diretores da Kaissara, Fernando Santos, que em entrevista ao Blog Ponto de Ônibus afirmou que não há sócios em comum entre as duas empresas.

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