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Asa Branca morre aos 57 anos

Locutor de rodeios lutava contra um câncer de mandíbula e também tinha HIV

Internado no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo desde o início do ano, Asa Branca morreu hoje. O locutor de rodeios lutava contra um câncer de mandíbula e também tinha HIV. Um comunicado oficial informando o falecimento foi publicado nas redes sociais do locutor.

“O Asa me ensinou muito. Sou muito agradecida a Deus por ter me dado a chance de cuidar dele, por ter me dado a chance de conviver com ele, foi um grande aprendizado. Ele vai estar no meu coração pro resto da vida. Tenho certeza que ainda vou encontrar com ele, onde ele estiver”, disse Sandra dos Santos, mulher de Asa Branca, em entrevista à Rede TV!.

Ela também confirmou que o sepultamento acontecerá na cidade de Turiúba, interior de São Paulo. Sandra ainda ressaltou que aguarda o atestado de óbito para definir o local do velório.

“Ele não dava mais sinal de vida para mim. Estou com meu genro aqui, esperando par apegar o atestado de óbito. Eu já acionei a funerária e só estou aguardando para definir o velório, a gente não definiu o local ainda”, completou.

A família do locutor chegou a criar uma vaquinha virtual para arcar com os custos do tratamento do locutor. Até o momento, haviam sido arrecadados pouco mais de R$ 13 mil.

Participações em novelas e fama

Locutor de rodeios, Asa Branca ficou famoso nacionalmente nos anos 90 depois de fazer participações em novelas da Rede Globo como “Mulheres de Areia” (1993) e “O Rei do Gado” (1996). No mesmo ano, ele também esteve presente no especial “Amigos”, que reunia as principais duplas sertanejas do Brasil, e à frente do “Som Brasil”.

Nascido Waldemar Rui dos Santos em 19 de abril de 1962, em Turiúba (SP), o locutor que ficou conhecido como Asa Branca incluiu o apelido em seu nome de batismo. Ele ficou conhecido por revolucionar os rodeios ao usar microfone sem fio para narrar dentro da arena. Ele também fazia chegadas cinematográficas aos rodeios, como quando descia em um helicóptero no meio da arena.

A ideia de usar o microfone sem fio veio do que ele viu em rodeios em uma viagem clandestina aos Estados Unidos. De volta ao Brasil, foi ao Paraguai comprar um desses microfones e passou a fazer sucesso com a inovação.

Em 2015, sua história foi contada em “Asa Branca, a última lenda dos rodeios”, documentário produzido pela Veja São Paulo e Kurundu Filmes. O filme mostra a ascensão e a queda do profissional que chegou a faturar R$ 300 mil por mês.

Segundo a sinopse, o fundo do poço veio após o envolvimento com drogas, o excesso de festas e a descoberta do vírus HIV. Na época, Asa Branca havia perdido todo o seu dinheiro e estava vivendo em Bertioga tentando retomar as rédeas da carreira.

Depois de voltar a narrar rodeios, Asa Branca também investiu na carreira de cantor e chegou a se lançar em dupla com Rancharia.

Histórico de doenças

Asa Branca recebe amigos na última etapa do tratamento contra o câncer

Imagem: Reprodução/Instagram

Asa Branca começou sua carreira como peão, montando em touros, mas foi interrompido por um acidente com um boi que perfurou seu pulmão. A partir daí, passou a investir na locução de rodeios, onde atingiu o sucesso, ficando conhecido especialmente pela Festa do Peão de Barretos.

Em 1999, o locutor descobriu que era portador do vírus do HIV. Posteriormente, revelou que não se prevenia durante as relações sexuais e que o preservativo nunca foi uma preocupação em sua realidade sertaneja.

Anos depois, em 2013, já em tratamento contra o HIV, Asa Branca enfrentou a neurocriptococose, popularmente conhecida como a doença do pombo, que é contraída pelas fezes do animal. Para ele se recuperar, foram oito cirurgias, seis delas na cabeça. O locutor via sua recuperação como um milagre.

Em 2017, Asa Branca descobriu um câncer na boca. Após tratamento, a doença voltou no início do ano passado. O locutor chegou a ser internado novamente em setembro e, entre idas e vindas, voltou ao hospital no último dia 25, quando os médicos alertaram a família de que já não havia mais o que fazer.

“Meu maior sonho é chegar aos 70 anos, juntos com os netos, os filhos”, declarou Asa Branca no documentário sobre sua vida. Ele deixa a esposa, Sandra Santos, e seis filhos de relações anteriores.

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