Allan Terça Livre, Luciano Hang e Roberto Jefferson são alvos de busca da PF

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A Polícia Federal cumpre, na manhã desta quarta (27), ordens judiciais que visam instruir o INQ 4.781, o inquérito das fake news, que tramita junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). Os agentes realizam 29 buscas no Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina. Os mandados foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da investigação no STF.

Foto: Reprodução / Instagram @AllanSantosBR

Segundo o deputado federal Cabo Junio (PSL-MG), são feitas buscas nas casas do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, dono do site Allan Terça Livre. Na véspera da operação, Allan postou novas críticas e ataques ao Supremo e disse, sobre Alexandre de Moraes, que “o tirano careca está revoltadinho”.

Os policiais federais também fazem buscas na casa do empresário Luciano Hang, em Santa Catarina. Ele é dono de uma loja de departamentos e é conhecido nas redes sociais como “Véio da Havan”.

O ex-deputado Roberto Jefferson, que chegou a ser condenado e preso pelo escândalo do mensalão, também recebeu policiais federais em sua casa, de acordo com a jornalista Mônica Bergamo, do jornal “Folha de S. Paulo”. A residência fica em Levy Gasparian, município do interior do Rio de Janeiro.

Em uma rede social, Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, disse que o que está acontecendo é algo “que qualquer um desconfie que seja proposital”.

“Querem incentivar rachaduras diante de inquérito inconstitucional, político e ideológico sobre o pretexto de uma palavra politicamente correta? Você que ri disso não entendo o quão em perigo está!”, publicou.

O deputado federal Cabo Junio (PSL-MG) negou a informação de que também seria alvo das buscas na manhã desta quarta-feira (27).

“Não sou, não. Só se for lá no gabinete (parlamentar, em Brasília), mas como estou em Minas já teriam me avisado”, disse. “Essa história de que sou alvo de inquérito, tenho quase certeza que é invenção. Eu vou fazer uma consulta nos próximos dias para saber se estou sendo investigado em alguma coisa dessas fake news aí ou daqueles tais, eles estão entendendo assim, atos contra a democracia”, completou.

Ao ser questionado como se daria essa consulta, o deputado respondeu que seria uma consulta institucional feita pelo seu gabinete à Procuradoria Geral da República (PGR). “A primeira reportagem da revista ‘Veja’ que me cita fala que a PGR tinha solicitado a investigação contra mim e o deputado Daniel Silveira”, explica o deputado.

O deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP) é outro alvo da PF. Os policiais fazem buscas no gabinete dele, na Assembleia Legislativa de São Paulo. Em uma rede social, ele publicou um vídeo dizendo que o inquérito é inconstitucional e “estabelecido pela ditatoga com o intuito de criminalizar a liberdade de expressão e a atividade parlamentar”.

Ativista e ex-candidata a deputada federal, Sara Winter também é um dos alvos dos mandados de busca e apreensão. Nas últimas semanas, ela apareceu nas redes sociais convocando pessoas para participar de um grupo chamado 300 do Brasil, que promove um acampamento para treinamento paramilitar.

Segundo Winter, a Polícia Federal chegou à casa dela às seis da manhã e levou seu notebook e celular.

“Moraes, seu covarde, você não vai me calar!”, escreveu Sara Winter em uma rede social, em referência ao ministro do STF Alexandre de Moraes, que é relator da investigação.

O humorista e músico Rey Biannchi também confirmou que é alvo. O investigado publicou imagem da chegada dos policiais e do mandado de busca que determina a apreensão de “computadores, tablets, celulares e outros dispositivos eletrônicos”.

“A Polícia Federal esteve agora na minha casa! Por ordem do ministro do STF, Alexandre de Moraes! Querem me calar? Não sou o Lula e não tenho medo de policiais, sou homem honesto e Íntegro”, disse no Twitter.

O youtuber bolsonarista Enzo Leonardo Suzin Momenti também divulgou fotos do mandado do inquérito sigiloso e afirmou que é alvo da ação. Ele reagiu com novos ataques à Corte.

“Hey Alexandre de Moraes, você não passa de um mafioso filho de uma puta. Fake News foi sua mãe uma vez dizer que você era bonito, seu arrombado desrespeitoso de uma merda. Que fique para a história: Esse homem aqui não se ajoelhou para um ministro CORRUPTO! (sic)”, disparou.

Delegados foram mantidos

A troca no comando da Polícia Federal promovida pelo presidente Jair Bolsonaro não interferiu nos delegados da Polícia Federal que atuam nesse inquérito.

Em 24 de abril, dois dias após a publicação da exoneração do então diretor geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, o ministro Alexandre de Moraes determinou que os delegados responsáveis pela investigação fossem mantidos no caso, mesmo com a alteração no comando da corporação.


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