Abin alertou Bolsonaro sobre necessidade de isolamento, diz jornal

A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) alertou o governo, por meio de 1 lote de 47 relatórios diários, num total de 950 páginas, sobre a necessidade do isolamento social. A informação é do jornal O Estado de S. Paulo.

Bolsonaro
© Sérgio Lima/Poder360 Relatórios informavam a Bolsonaro necessidade de isolamento social

Os documentos, obtidos pelo Estadão, indicam a falta de leitos de UTI (unidades de terapia intensiva) e a elevada subnotificação de casos de infectados por covid-19 e mortes por insuficiência de testes de diagnóstico.

O presidente Jair Bolsonaro, entretanto, tem insistido na importância da retomada econômica para evitar ainda mais desemprego e diz que as quarentenas “não atingiram o seu objetivo”.

Em 1.º de maio, a Inteligência brasileira informou ao presidente que, de 27 a 30 de abril, havia sido observado aumento de casos no interior do Amazonas pelo “descumprimento do isolamento social”.

Conforme apurou o Estado, o documento revelava o crescimento no número de mortes nos municípios de Coari, Manacapuru, Maués, Parintins e Rio Preto da Eva, que não tinham leitos de UTI suficientes.

Outro despacho da Abin, de 11 de maio, destaca que os Estados que haviam adotado medidas restritivas “aparentemente tiveram maior sucesso em reduzir a taxa de crescimento do número de casos”.

“O Distrito Federal foi uma das primeiras UFs a decretar suspensão de aulas e de atividades não essenciais, o que provavelmente contribuiu para controle do crescimento de número de casos locais”, informa o documento.

A Abin mapeia, desde março, casos da covid-19 no exterior. A agência afirmou, no começo de abril, que decretar rígida quarentena foi determinante para achatar a curva de casos na Espanha, Itália, França, Alemanha e Reino Unido.

As informações encaminhadas ao presidente contrariam seu discurso de que a doença atinge apenas os “mais fracos”. Nos documentos obtidos pelo Estadão, a agência diz que o número de pacientes sem comorbidades tem aumentado consideravelmente, mas situa-se aproximadamente na faixa de 20% a 35%.

A agência foi alvo de reclamação do presidente Jair Bolsonaro na reunião ministerial de 22 de abril. O encontro foi tornado público pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello no inquérito que investiga suposta interferência política na Polícia Federal.

“Prefiro não ter informação do que ser desinformado por sistema de informações que eu tenho”, queixou-se Bolsonaro na ocasião do encontro na reunião de governo.

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