PP e PRB anunciam apoio ao afastamento da presidente Dilma Rousseff


Enquanto todos os holofotes da imprensa e do governo se preocupavam com a decisão do PP pela permanência ou não na base aliada, o PRB, de Celso Russomanno e outros 21 deputados federais, decidiu por unanimidade pelo apoio ao afastamento da presidente Dilma Rousseff.

Decisão do partido de Celso Russomano enfraquece base da presidente Dilma
Decisão do partido de Celso Russomano enfraquece base da presidente Dilma

A informação foi dada por deputados do partido à BBC Brasil logo após reunião discreta na Câmara dos Deputados – e confirmada em seguida pela liderança do PRB. O partido decidiu “fechar questão” pelo impeachment, o que significa que os deputados que não obedecerem à decisão receberão punições, incluindo eventual expulsão da legenda.

Em encontro conduzido pelo pastor da Igreja Universal e presidente do partido, Marcio Ribeiro, o PRB decidiu que todos os seus membros são obrigados a apoiar o afastamento da presidente.

  •  apresentavam com posição indefinida – e eram disputados, um a um, pelo governo petista – passaram a engrossar o coro dos que pedem o afastamento. Entre eles, está o cantor Sérgio Reis (SP), também filiado à legenda.

“O PRB tem um corpo técnico e jurídico muito consistente”, disse à BBC Brasil o deputado Lindomar Garçon – que até esta terça-feira se apresentava como “voto indefinido”.

“Estava esperando a decisão do partido. Eles leram todo o parecer da comissão (especial de impeachment) e recomendaram o afastamento.”

O PRB também conta com um senador, o carioca Marcelo Crivela (RJ), que comandou o ministério da Pesca no primeiro governo Dilma e agora também defende seu afastamento.

PP volta atrás

Para que o processo de impeachment tenha prosseguimento no Congresso, são necessários 342 votos a favor do impedimento. Se o número for alcançado, a pauta segue para votação entre os senadores. Se não, a presidente é mantida no cargo.

O principal motivo de preocupação para o governo durante todo o dia foi a longa reunião a portas fechadas do PP, que voltou atrás em seu apoio à presidente e engrossou o coro dos que defendem o impeachment.

O partido de Paulo Maluf (SP), entretanto, não fechará questão – o que indica que alguns deputados da legenda ainda apoiarão a presidente.

O PP reúne a quarta maior bancada da Câmara, com 47 deputados federais. Destes 31 votaram pelo afastamento, 13 contra, dois se declararam indecisos e faltaram à reunião.

A jornalistas, o presidente do partido, Ciro Nogueira, disse que todos os membros que ocupam cargos no governo foram orientados a entregá-los. É o caso do ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi.

Ex-ministro das Cidades de Dilma, Nogueira defendia a permanência do partido na base do governo, mas enfrentava resistência entre parlamentares.

Em entrevista à BBC Brasil, um dos principais nomes do PP, o deputado Paulo Maluf, chegou a classificar Nogueira como “ditadorzinho do Piauí”, alegando que a base do partido não havia sido consultada na decisão de continuar ou não apoiando a presidente.

Fonte: BBC Brasil

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